Nem Tudo o Tempo Levou

Março e Abril foram meses de ternura na Contracanto em 2018!
O público rendeu-se à avó Maria, à Sofia, sua neta, e a todos os 5 minutos que podem durar uma vida inteira.

Uma avó, uma filha, uma neta. Três gerações contra o tempo. Alzheimer e Amor e os caminhos que o cruzam. Uma história de Amor entre três mulheres, agredidas pela crueldade da demência. Para gravar na memória. 

Contexto:

Segundo a Organização Mundial de Saúde estima-se que existam em todo o mundo cerca de 47,5 milhões de pessoas com demência, um número que pode aumentar para 75,6 milhões em 2030 e atingir os 135,5 milhões em 2050.

No cenário da demência, a doença de Alzheimer é a triste protagonista, constituindo entre 60% a 70% de todos os casos de demência. Em Portugal, a estimativa de 2014 apontava para cerca de 182 mil casos. Trata-se de uma doença progressiva, degenerativa que afeta o cérebro. À medida que as células cerebrais vão sofrendo uma redução de tamanho e número, formam-se as chamadas tranças neurofibrilhares no seu interior e placas senis no espaço exterior existente entre elas. Esta situação impossibilita a comunicação dentro do cérebro e danifica as conexões existentes entre as células cerebrais. As células acabam por morrer e isto tem como consequência uma incapacidade de recordar ou assimilar a informação. Desta forma, à medida que a Doença de Alzheimer vai evoluindo e afetando várias áreas cerebrais, o indivíduo vai perdendo certas funções ou capacidades.

No seu período inicial, dada a ausência de diagnóstico, a pessoa que sofre de demência é frequentemente incompreendida e pode até ser vítima de intolerância familiar.

Na fase mais progressiva, a pessoa que sofre de demência acaba por ficar “perdida no seu mundo”, sem resposta a estímulos exteriores e sem referências diretas com o ambiente familiar e social. No seu limite, fica totalmente dependente de apoio para todas as funções básicas, incluindo as fisiológicas.

Trata-se de um contexto que sacrifica e desgasta, muito especialmente física e emocionalmente a família e/ou os respetivos cuidadores.

O quadro de demência de um elemento da família é dramático e extremamente doloroso, constituindo tema de debate social constante, quer no que diz respeito à necessidade de formação e preparação especializada por parte dos cuidadores, quer no que se refere à questão da dignidade física e moral dos doentes.

Sinopse:

“Nem tudo o tempo levou” é a mensagem que a Contracanto Associação Cultural pretendeu passar acerca do final da vida e do papel crucial que cada um de nós desempenha na dignidade derradeira daqueles que um dia nos deram tudo e que chegam ao fatídico dia em que de tudo precisam. Trata-se de uma peça musical que aborda o tempo das pessoas e as pessoas contra o tempo.

São apresentadas as perspetivas de três gerações diferentes relativamente ao tempo que a vida tem. Uma avó, uma filha e uma neta atravessam a história e a demência de formas bem diferenciadas, mas que, de certa forma, se complementam.

O quotidiano de uma adolescente, de uma jovem mulher e de uma mulher madura é abanado pela imprevisibilidade dos dias, impossíveis de parar, mas possíveis de embalar com a linguagem una do Amor.

“Nem tudo o tempo levou” procura deixar uma tónica agridoce, onde a angústia adulta da impotência perante a finitude é desarmada pela simplicidade desconcertante e pragmática de uma criança.

“Nem tudo o tempo levou”. Porque, às vezes, há pedaços de fim agarrados ao que começou.

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